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CONVIVIALISME: (RE)TROUVER LES VOIES D'UNE ETHIQUE DE LA RELIANCE

Séance de clôture des sessions de l'espace éthique de l'Ile de France - Marie de Paris IV - 06/06/18

Vers un projet politique convivialiste

Sintese do Manifesto convivialista

Declaração de interdependência[1]

Jamais a humanidade dispôs de tantos recursos materiais e competências técnicas e científicas. Considerada em sua globalidade, ela é rica e poderosa, como ninguém nos séculos anteriores poderia imaginar. Nada comprova que ela esteja mais feliz. Porém, nenhuma pessoa deseja voltar atrás, pois todos percebem que, cada vez mais, novas possibilidades de realização pessoal e coletiva se abrem todos os dias. 

Mas, por outro lado, ninguém pode mais acreditar que essa acumulação de poder possa prosseguir indefinidamente, tal qual em uma lógica de progresso técnico inalterada, sem se voltar contra ela mesma e sem ameaçar a sobrevivência física e moral da humanidade. As primeiras ameaças que nos assaltam são de ordem material, técnica, ecológica e econômica. Ameaças entrópicas. Somos muito mais incapazes de sequer imaginar respostas para o segundo tipo de ameaças. Ameaças essas de ordem moral e política. Ameaças que podemos qualificar como antrópicas.

 

O problema primordial

 A constatação está aí: a humanidade soube realizar progressos técnicos e científicos fulgurantes, mas ela permanece ainda incapaz de resolver seu problema essencial: como gerir a rivalidade e a violência entre os seres humanos? Como incitá-los a cooperar, permitindo-lhes ao mesmo tempo se opor sem se massacrar? Como criar obstáculos à acumulação de poder, de agora em diante ilimitada e potencialmente auto-destrutiva, sobre os homens e sobre a natureza? Se a humanidade não souber rapidamente responder a essa questão, ela desaparecerá. Muito embora todas as condições materiais estejam reunidas para que ela prospere, contato que tomemos definitivamente consciência de suas finitudes.

Dispomos de múltiplos elementos para resposta: aqueles que sustentaram ao longo de séculos as religiões, as morais, as doutrinas políticas, a filosofia e as ciências humanas e sociais. E as iniciativas que seguem no sentido de uma alternativa à organização atual do mundo são inumeráveis, produzidas por dezenas de milhares de organizações ou associações e por dezenas ou centenas de milhões de pessoas. Essas iniciativas se apresentam sob nomes, sob formas ou em escalas infinitamente variadas: a defesa dos direitos do homem, do cidadão, do trabalhador, do desempregado, da mulher ou das crianças; a economia social e solidária com todas suas componentes: as cooperativas de produção ou de consumo, o mutualismo, o comércio justo, as moedas paralelas ou complementares, os sistemas de troca local, as diversas associações de apoio mútuo; a economia da contribuição digital (Linux, Wikipedia etc.); o decrescimento e o pós-desenvolvimento; os movimentos slow food, slow town, slow science; a reivindicação do buen vivir, a afirmação dos direitos da natureza e o elogio à pachamama; o altermundialismo, a ecologia política e a democracia radical, os indignados, Occupy Wall Street; a busca por indicadores de riqueza alternativos, os movimentos de transformação pessoal, de simplicidade voluntária, de abundância frugal, de diálogo de civilizações, as teorias do care, os novos pensamentos dos communs etc.

Para que essas iniciativas tão ricas possam se contrapor, com força suficiente, às dinâmicas mortíferas de nosso tempo e para que elas não sejam confinadas a um papel de simples contestação ou de atenuação, torna-se crucial reunir suas forças e suas energias, daí a importância de destacar e nomear o que elas têm em comum.

 

Do convivialismo 

Elas têm em comum a busca por um convivialismo, por uma arte de viver juntos (con-vivere) que habilita os humanos a cuidar um dos outros e da Natureza, sem negar a legitimidade do conflito, mas fazendo dele um fator de dinamismo e de criatividade. Um meio de evitar a violência e as pulsões de morte. Para encontrar esse meio, precisamos, a partir de agora, e com toda urgência, de uma base doutrinal mínima partilhável que permita responder simultaneamente e em escala planetária, ao menos, a quatro questões essenciais (mais uma):

A questão moral: o que é permitido aos indivíduos esperar e o que devem eles se proibir?

A questão política: quais são as comunidades políticas legítimas?

A questão ecológica: o que nos é permitido retirar da natureza e o que devemos lhe restituir?

A questão econômica: qual quantidade de riqueza material nos é permitido produzir, e como devemos produzir, de modo a sermos coerentes com as respostas dadas às questões moral, política e ecológica?

Cada um é livre para adicionar ou não a essas quatro questões aquela concernente ao sobrenatural ou ao invisível: a questão religiosa ou espiritual. Ou ainda: a questão do sentido. 

Considerações gerais:

A única ordem social legítima universalizável é aquela que se inspira em um princípio de comum humanidade, de comum socialidade, de individuação e de oposição ordenada e criadora.

Princípio de comum humanidade: acima das diferenças de cor de pele, de nacionalidade, de língua, de cultura, de religião ou de riqueza, de sexo ou de orientação sexual, há somente uma humanidade, que deve ser respeitada na pessoa de cada um de seus membros.

Princípio de comum socialidade: os seres humanos são seres sociais para quem a maior riqueza existente é a riqueza de suas relações sociais.

Princípio de individuação: em conformidade com os dois primeiros princípios, a política legítima é aquela que permite a cada um afirmar da melhor maneira sua individualidade singular em devir, desenvolvendo sua potência de ser e de agir sem prejudicar a dos outros.

Princípio de oposição ordenada e criadora: porque todos têm vocação para manifestar sua individualidade singular, é natural que os humanos possam se opor. Mas só é legítimo fazê-lo enquanto isso não coloca em risco o plano da comum socialidade que torna essa rivalidade fecunda e não destrutiva. 

Desses princípios gerais decorrem:

Considerações morais

O que é permitido a cada indivíduo esperar é o reconhecimento de sua igual dignidade para com todos os outros seres humanos, é ter acesso a condições materiais suficientes para levar a cabo sua concepção de vida boa, respeitando as concepções dos outros

O que lhe é proibido é cair em desmedida (a hubris dos Gregos), i.e. violar o princípio de comum humanidade e por em perigo a comum socialidade

Concretamente, é dever de cada um lutar contra a corrupção.

Considerações politicas

Na perspectiva convivialista, um Estado, ou um governo, ou uma instituição política nova só podem ser tidos como legítimos se:

- Respeitam os quatro princípios de comum humanidade, de comum socialidade, de individuação e de oposição ordenada, e se facilitam a realização das considerações morais, ecológicas e econômicas que deles decorrem;

Mais especificamente, Estados legítimos garantem a todos seus cidadãos mais pobres um mínimo de recursos, uma renda básica, seja lá qual for sua forma, que os protege da abjeção da miséria, bem como impedem progressivamente aos mais ricos, via instauração de uma renda máxima, de cair na abjeção da extrema riqueza, ultrapassando um nível que tornaria inoperantes os princípios de comum humanidade e de comum socialidade.

Considerações ecológicas

O Homem não pode mais se considerar como dono e senhor da Natureza. Tendo em conta que longe de se opor a ela, ele faz parte dela, ele deve estabelecer com a Natureza, ao menos metaforicamente, uma relação de dom/contra-dom. Para legar às gerações futuras um patrimônio natural preservado, ele deve assim devolver à Natureza tanto ou mais do que dela toma ou recebe.

Considerações econômicas

Não há correlação comprovada entre riqueza monetária ou material, de um lado, e felicidade ou bem-estar, de outro. O estado ecológico do planeta torna necessário buscar todas as formas possíveis de prosperidade sem crescimento. É necessário para isso, em uma perspectiva de economia plural, instaurar um equilíbrio entre Mercado, economia pública e economia de tipo associativo (social e solidária), dependendo se os bens ou os serviços a serem produzidos são individuais, coletivos ou comuns.

 

Que fazer?

 Não podemos negar que, para obtermos êxito, será necessário enfrentar forças consideráveis e terríveis, tanto financeiras quanto materiais, tanto técnicas, científicas ou intelectuais quanto militares ou criminosas. Contra essas forças colossais e frequentemente invisíveis e ilocalizáveis, as três principais armas serão:

- A indignação experimentada em face da desmedida e da corrupção, e a vergonha, sendo necessária ser sentida por aqueles que diretamente ou indiretamente, ativamente ou passivamente, violam os princípios de comum humanidade e de comum socialidade.

- O sentimento de pertencimento a uma comunidade humana mundial.

- Muito além das “escolhas racionais” de uns e de outros, a mobilização dos afetos e das paixões.

 

Ruptura e transição

 Toda política convivialista concreta e aplicada deverá necessariamente levar em consideração:

- O imperativo da justiça e da comum socialidade, que implica a supressão das desigualdades vertiginosas irrompidas no mundo desde os anos 1970 entre os mais ricos e o resto da população

- A preocupação de dar vida aos territórios e às localidades, e assim de reterritorializar e de relocalizar o que a globalização desterritorializou e deslocalizou em demasia.

- A absoluta necessidade de preservar o meio ambiente e os recursos naturais.

- A obrigação imperiosa de fazer o desemprego desaparecer e oferecer a todos uma função e uma atribuição reconhecidas entre as atividades úteis à sociedade.

A tradução do convivialismo em respostas concretas deve articular, na prática, as respostas à urgência de melhorar as condições de vida das camadas populares, e de construir uma alternativa ao modo de existência atual tão carregado de múltiplas ameaças. Uma alternativa que cessará de fazer crer que o crescimento econômico ilimitado ainda poderia ser a solução para todos nossos males. 

 

ILS/ELLES SOUTIENNENT LE CONVIVIALISME

Jean-Philippe Acensi, Michel Adam, Marco Aime (It), Cengiz Aktar (Tu), Jeffrey Alexander (USA), Claude Alphandéry , Hiroko Amemiya (Jap), Ana Maria Araujo (Ur), Geneviève Ancel, Catherine André, Margaret  Archer (UKr, Claudine  Attias-Donfut, Rigas Arvanitis, Geneviève Azam, Benjamin Ball, Laurence Baranski, Oscar Barroso-Fernandez (Esp), Marc Basquiat de, Philippe Batifoulier, Jean Baubérot, Michael  Bauwens (Be), Olivier Beaud, Christiane de Beaurepaire, Anne Beauvillard, Patrick Beauvillard, Akrim Belkaid (Alg), Robert  Bellah (USA, †), Dorothée Benoït Browaeys, Augustin Berque, Yves Berthelot, Romain Bertrand, Antoine Bevort, Roy Bhaskar (UK), Abdennour Bidar, Leonardo Boff (Br), Luc Boltanski, Daniel Bougnoux, Dominique Bourg, Pascal Branchu, Axelle Brodiez-Dolino, Dorothée Browaeys, Françoise Brugère, Luigino Bruni (It), Alain Caillé, Belinda Cannone, Jean-Louis Cardi, Barbara Cassin, Patrick Chamoiseau, Philippe Chanial, Benoît Chantre, Hervé Chaygneaud-Dupuy, Eve Chiapello, Philippe Cibois, Sébastien Claeys, Denis Clerc, Gabriel Cohn (Br), Gabriel Colletis, Catherine Colliot-Thélène, Pascal Combemale, Josette Combes, Christian Coméliau, Benjamin Coriat, Ana M. Correa (Ar), Thomas Coutrot, Florian Couveinhes Matsumoto, Daniel Cueff, Eric Dacheux, Jean-Yves Dagnet, Thierry Dallard, Francis Danvers, Hervé Defalvard, Jean-Claude Devèze, François Doligez, François Dubet, Marc Dufumier, Dany-Robert Dufour, Jean-Pierre Dupuy, Timothée Duverger, Tereza  Estarque (Br), Emmanuel Faber, Olivier Favereau, Adriano Favole (It), Andrew Feenberg (USA), Francesco Fistetti, (It)  Anne-Marie Fixot, David Flacher, François Flahault, Fabrice Flipo, Jean-Baptiste Foucauld, de, Christophe Fourel, François Fourquet (†), Philippe Frémeaux, Emmanuel Gabellieri, Jean Gadrey, Noemi Gal_Or (Can), Vincent Gaulejac, de, François Gauthier, Sylvie Gendreau (Can), Susan George (USA), Anne Gervais, François Gèze, Yovan Gilles, Christiane  Girard, Gaël Giraud, Pascal Glémain, Jacques Godbout (Can), Françoise Gollain, Pierre-Yves Gomez (Can), Roland Gori, Phil Gorsky (USA) , Daniel Goujon, Jean-Marie Gourvil, Jean-Edouard Grésy, André Grimaldi, Jean-Claude Guillebaud, Patrice Guillotreau, Stéphane Haber, Fabrice Hadjadj, Pascale Haag, Jean-Marie Harribey, Keith Hart (UK), Armand Hatchuel, Nathalie Heinich, Axel Honneth (All), Edith Heurgon, Dick Howard (USA), Marc Humbert, Eva Illouz (Isr), Ahmet Insel (Tu), Geneviève Jacques, Florence Jany-Catrice, Jean-Paul Jaud, Béatrice Jaud, Zhe Ji (Chi), Hans Joas (All), Stephen Kalberg (USA), Hervé Kempf, Etienne Klein, Jacinto Lageira, Michel Lallement, Bruno Lamour, Elena Lasida, Serge Latouche, Sandra  Laugier, Camille  Laurens, Marc Lautier, Christian Laval, Jean-Louis Laville, Christian Lazzeri, Jacques Le Goff, Frédéric  Lebaron, Erwan Lecoeur, Jacques Lecomte, Martin Legros, Jean-Louis Le-Moigne, Daniel Le Scornet, Alain  Lipietz, Didier Livio, Agnes Lontrade, Pierre-Yves Madignier, Katsumata Makoto (Jap), Gilles Maréchal, Gustave Massiah, Dominique Méda, Margie  Mendell (Can), Maurice Merchier, Pascale Mériot, Jean-Claude Michéa, Jun  Nishikawa (Jap), Pierre-Olivier Monteil, Jacqueline Morand, Edgar Morin, Chantal Mouffe (Be), Yann Moulier-Boutang, Gaby Navennec, Pierre Nicolas, Osamu Nishitani (Jap), Ugo Olivieri (It), Thierry Paquot, Patrice Parisé, Antoine Peillon, Corine Pelluchon, Alfredo Pena-Vega, Bernard Perret, Jacques Perrin, Pascal Petit, Ilaria Pirone, Geoffrey Pleyers, Gérard Pommier, Antonin Pottier, Serge Proulx, Elena Pulcini, Michel Renault, Yves Renoux, Myriam Revault d'Allonnes, Emmanuel Reynaud, Matthieu Ricard, Marie-Monique Robin, Guy Roustang, Philippe Ryfman, Jeanne Favret-Saada, Jean Sammut, Christian Sautter, Blanche Segrestin, Richard Sennett (USA), Jean-Michel Servet, Pablo Servigne, Hugues Sibille, Ilana Silber (Isr), Richard Sobel, Isabelle Sorente, Frédéric  Spinhirny, Robert Spizzichino, Bernard Stiegler, Roger Sue, Dominique  Taddei, Elvia  Taracena (Mex), Bruno Tardieu, André Teissier du Cros, Michel Terestchenko, Jean-Pierre Terrail, Bruno Théret, Tzvetan Todorov (†), Jacques Toledano, Florent Trocquenet-Lopez, Patrick Tudoret, Jean-Jacques Tyszler, Frédéric Vandenberghe, Philippe  Van Parijs (Be), François  Vatin, Jean-Luc Veyssy, Bruno Viard, Denis Vicherat, Patrick Vieu, Jean-Louis Virat, Patrick Viveret, Nathanaël Wallenhorst, Juliette Weber, Chico Whitaker (Br), Jean-Pierre Worms

Parce qu'on ne pourra pas sauver la planète sans sauver la démocratie et parce que nous n'y parviendrons qu'en faisant converger toutes les initiatives citoyennes et écologiques, les convivialistes se sont joints à tout un ensemble de réseaux pour lancer un label Ah! sous la forme d'un badge à porter.
Pour en savoir plus et commander le badge aller sur www.ah-ensemble.org

Ces réseaux soutiennent le mouvement convivialiste

Association Age de faire  Alternatives économiques   Appel des appels   Assemblées virtuelles      Banc public   Demain en mains   Démocratie ouverte   Démosthème   Dialogues en humanité   Agence Education pour le sport    Enquête de sens   Etats généraux du puvoir citoyen   Association pour l'Instauration d'un revenu d'Existence   Lab School Network   Mouvement pour un Revenu de Base   Initiatives Dionysienne      Pekea   Les Périphériques      Sol   Sport populaire

Un autre monde est non seulement possible, il est absolument nécessaire

ET URGENT. MAIS, COMMENT DESSINER SES CONTOURS ET LE PENSER ?

Ce site se propose d’être un espace de rencontre entre tous ceux qui, dans l’esprit du Manifeste convivialiste  , inventent des formes de démocratie post-libérale et post-croissantiste, en théorie ou en pratique.

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